o retrato de dorian gray

O Retrato de Dorian Gray – A Beleza a Qualquer Custo (Resenha)

Hoje, vou fazer uma resenha de O Retrato de Dorian Gray, do mestre Oscar Wilde. Bom, eu já conhecia por cima essa história dos tempos da faculdade de jornalismo. Era uma obra que muitos colegas e até mesmo professores recomendavam, porque é um clássico, né? Uma escrita muito boa, e também porque ela traz uma reflexão sobre a estética da arte e alguns padrões inalcançáveis de beleza.

E isso é um tema recorrente na sociedade, né? Era discutido na época de publicação do livro em mil oitocentos e noventa (1890), era discutido na minha época de faculdade e é discutido ainda hoje, ainda mais com a predominância das redes sociais nas vidas das pessoas.

A resenha vai ser feita utilizando a edição estendida, que é a mais conhecida. Depois eu entro em mais detalhes sobre as diferenças das edições. Utilizamos a publicação da Editora Excelsior, que é um livro capa dura e uma edição bem agradável de leitura. Eu, particularmente, só tenho elogios para a edição.

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A Fascinante Narrativa de Dorian Gray

Prontos para saber mais dessa resenha de O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde? Olha que interessante, né? Esse é o único romance do autor, romance aqui no sentido de livro de ficção extenso, e não no sentido romântico.

Bom, O Retrato de Dorian Gray começa com uma conversa de dois amigos nobres ali em Londres durante o século dezenove. O Lorde Henry Wotton está visitando o ateliê do amigo Basil Hallward e fica espantado com a beleza de um retrato que o amigo tinha pintado. Basil compartilha desse sentimento e indica ao amigo que esse quadro era a coisa mais bonita que ele já tinha pintado na vida. Ele está vidrado naquele seu trabalho.

Logo depois, Dorian Gray chega ao ateliê para finalizar o retrato, e o Lorde Wotton se espanta mais ainda com a beleza de Gray. Nesse contexto, conversa vai, conversa vem, e Henry, um hedonista convicto, faz um discurso para Dorian sobre o poder da beleza e o quanto Dorian teria a vida beneficiada por ser lindo e jovem.

A Consequência da Busca Desenfreada por Beleza

Mas ao mesmo tempo, o destino seria cruel com ele, pois o tempo tira a beleza e a juventude dos belos, deixando-os sem nada. A princípio, Dorian não dá muita bola para o papo de Henry, mas ao se deparar com o seu retrato, ele toma consciência da sua própria beleza como nunca havia acontecido antes, e as fortes palavras de Henry tomam vida em sua consciência. 

Com medo de envelhecer e perder a sua beleza, ele deseja que o quadro envelhecesse em seu lugar. Por uma obra do destino, seu pedido é realizado, e o quadro passa a sofrer com a idade, e também toda vez que Dorian magoa alguém.

O protagonista passa a levar uma vida hedonista, machucando muitos, estragando a vida de vários, influenciando negativamente outros, sempre visando o prazer imediato e as recompensas fáceis, sempre estimulado pelo seu amigo hedonista Henry Wotton (que muitas vezes é chamado na obra pelo apelido Harry, então Henry e Harry são a mesma pessoa).

Críticas Atuais e Relevância de O Retrato de Dorian Gray

Dorian, então, deixa um rastro de pessoas machucadas e acaba se tornando um homem amargurado e frio, que comete atrocidades atrás de atrocidades. Quando ele percebe que está se deteriorando como pessoa, sua alma já está completamente corrompida, apesar da sua beleza externa ainda existir.

Então, aqui temos uma metáfora bem forte, né? Já que se o tempo não lhe tirou a beleza externa, tirou a beleza interior e a própria felicidade genuína. E eu quero ressaltar um pouco isso aqui na nossa resenha de O Retrato de Dorian Gray. Esse simbolismo da obra é muito forte, né? Até mesmo se a gente trouxer para os dias de hoje com toda essa busca desenfreada pela beleza. Ou seja, é uma crítica à sociedade da época, mas que também se aplica à nossa sociedade atual.

Obsessão Pela Beleza e Juventude

busca pela juventude eterna

Aqui eu quero citar alguns pontos que permeiam a obra. O primeiro é a obsessão pela juventude e beleza. Ou seja, Dorian Gray, o personagem principal da obra, vai se tornando obcecado por sua própria beleza e juventude, buscando incessantemente prazeres hedonistas e evitando o envelhecimento. Esse desejo intenso de preservar a juventude demonstra um pouco a pressão que existe sobre as pessoas para atender aos padrões estéticos ideais. E isso tanto na época do livro, no século dezenove, quanto atualmente, sendo que hoje isso é muito mais potencializado pelas redes sociais.

Temos também a dualidade entre aparência e realidade presente nessa obra. Dorian Gray esconde a decadência moral que ocorre em sua vida real, enquanto seu retrato demonstra a verdadeira condição de sua alma. Isso a gente também vê muito hoje em dia, em que as pessoas frequentemente compartilham apenas as partes positivas de suas vidas, criando uma fachada de perfeição que pode mascarar problemas reais e criar uma pressão adicional para manter uma imagem idealizada.

A terceira crítica aqui que se encontra no pano de fundo desse livro é a consequência da busca desenfreada por padrões de beleza. Assim como Dorian Gray enfrenta consequências trágicas por sua obsessão com a beleza, a busca desenfreada por padrões estéticos no nosso mundo atual pode levar a problemas de distorção da autoimagem.

Tabus e Mudanças Editoriais

Temos aqui mais dois pontos importantes que merecem destaque. A primeira é a crítica à arte e estética: Wilde questiona a sociedade que não consegue apreciar a arte sem impor padrões morais. O Retrato de Dorian Gray é uma obra de arte que reflete a verdadeira natureza do personagem, mas a sociedade vitoriana lá do século dezenove, que ele fazia parte, não consegue aceitar essa representação genuína. Inclusive, o prefácio desse livro é bem famoso por fazer essa crítica explícita àquela sociedade.

E o prefácio foi adicionado também por causa de tabus da época. A primeira versão desse livro foi censurada porque abordava sentimentos homoafetivos de um dos personagens, o que era proibido na Inglaterra da época. Essa versão tinha 13 capítulos e ficou esquecida durante boa parte da história, até ser recuperada pouco tempo atrás e, no Brasil, foi publicada pela Editora Darkside.

Já essa edição aqui possui 20 capítulos, ou seja, foi estendida por Wilde, que modificou o teor do livro. Aqui, Basil está apaixonado pelo retrato de Dorian, e não pelo personagem em si, ou seja, acaba que está ali apaixonado pela própria obra. Na verdade, eu não sabia da existência de duas versões desse livro, acabei apenas aprendendo isso ao pesquisar para essa resenha.

O Fascínio por Henry Wotton: Uma Análise dos Personagens

o retrato de dorian gray

Apesar de ser nomeado em homenagem ao Dorian Gray, na minha opinião, o personagem mais interessante do livro é o Henry, que muitas vezes é chamado pelo apelido Harry durante a obra, como eu citei anteriormente. Ele é um personagem com uma eloquência incrível, e todas as suas falas no livro são repletas de ideias provocativas e exaltando a busca do prazer imediato, custe o que custar. 

É um desses discursos de Harry que catalisa as mudanças de Dorian, e é um discurso até bem impactante presente no segundo capítulo do livro, que eu vou ler para vocês. Está na página 26, que vou destacar abaixo:

“É mesmo. E a beleza constitui uma forma de genialidade… Na verdade, é mais elevada do que a genialidade, pois não precisa de explicação. É um dos grandes fenômenos do mundo, como a luz do sol, ou a primavera, ou o reflexo nas águas escuras daquela concha prateada que chamamos de lua. Não pode ser questionada; tem um direito divino à soberania. Aqueles que a possuem viram príncipes. Você sorri? Ah! Quando a perder, deixará de sorrir… Às vezes dizem que a beleza não passa de algo superficial. Talvez, mas ao menos não tão superficial quanto o pensamento. Para mim, a beleza significa a maravilha das maravilhas. Apenas os insipientes não julgam pelas aparências. O verdadeiro mistério do mundo é o visível, não o invisível.”

O Abandono da Juventude

Depois, ele prossegue: “Quando a juventude o abandonar, a beleza irá com ela, e então repentinamente descobrirá que não lhe sobram triunfos, ou terá que se contentar com aqueles triunfos mesquinhos que a lembrança do passado tornará mais amargos do que as derrotas. Mês a mês, à medida que o tempo passa, você se aproxima de algo terrível. O tempo tem ciúmes de você, e luta contra seus lírios e suas rosas. Você ficará pálido, as faces encovadas e os olhos embotados. Sofrerá horrivelmente. Ah! Dê-se conta de sua juventude enquanto ainda a tem.” 

Ou seja, ele dispara a faísca que incendeia a transformação de Dorian. Ao incentivar a busca incessante pelo prazer, Harry propicia a decadência moral do nosso personagem principal. 

Durante o livro, Harry vai defender os maiores absurdos, coisas terrivelmente sem sentido, mas ele faz isso de uma forma magistral e tem uma imensa influência sobre Dorian. Então, essas falas do Henry são um trunfo a mais e uma crítica à parte, à essa sociedade que eles viviam.

Considerações Finais sobre a Escrita de Oscar Wilde

Sobre a escrita do autor, ela é em geral muito boa. O início do livro evolui de uma forma bem legal, mas ele se perde um pouco na metade, ali pelos capítulos 12 e 13, e fica uma leitura meio enfadonha. Mais pro fim do livro, o ritmo se recupera, atingindo o clímax, claro, nas últimas páginas.

Minha nota foi 4 no Skoob, mas considero que se não fosse um leitor bem dedicado, pode ser que eu largasse o livro ali pela metade, o que teria sido um grande erro. Que bom que me mantive na leitura e recomendo que você faça o mesmo! 

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