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10 Principais Livros da Geração Beat: Os Ícones da Contracultura

No artigo de hoje vamos conhecer os principais livros da geração beat. Inspirada pela obra de autores como William Blake, Arthur Rimbaud, Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald, a Geração Beat deixou uma marca duradoura na literatura americana e influenciou artistas também em outras partes do globo. 

Jack Kerouac era o líder do movimento que também incluía outros escritores e poetas como Allen Ginsberg e William S. Burroughs. Suas obras eram caracterizadas por demonstrar um certo desprezo pela cultura e conformidade vigentes nos EUA pós Segunda Guerra e, por isso, muitas vezes referem-se a eles como autores da contracultura. 

Os temas de seus livros habitualmente tratavam de sexo, drogas e hedonismo, esses rebeldes, evidentemente, foram muito polêmicos à sua época, chacoalharam os valores vigentes e ajudaram a inspirar o movimento hippie que viria nas décadas de 70. 

A contestação da sociedade e a busca pela liberdade traziam uma sedução evidente por essas obras, principalmente de On The Road: Pé na Estrada, que narra uma viagem de ponta a ponta dos EUA dos autores (e virou filme em 2012). Não obstante, alguns livros do movimento assustam por suas experiências insanas. 

Ainda: há uma tendência de algumas pessoas de colocar John Fante, Charles Bukowski e até mesmo Hunter Thompson como escritores do movimento Beat. Essa classificação não é totalmente acurada, visto que essencialmente a geração era composta pelos três autores supracitados. 

Por, de fato, trazer algumas similaridades na essência das obras, nosso blog vai trazê-los dentro dessa lista (já que não temos a pretensão de encerrar essa discussão). Ao fim do texto, traremos os argumentos utilizados para incluí-los ou não dentro desse movimento e o leitor poderá tirar a sua própria conclusão. 

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1 – On The Road: Pé na Estrada (Jack Kerouac) 

On The Road: Pé na Estrada (Jack Kerouac) 

Esse é o livro de estreia do movimento, portanto presença obrigatória em qualquer lista de principais livros da Geração Beat. Com um estilo de narrativa intenso, Jack Kerouac traz em On The Road um relato realista do momento em que ele decide pôr o pé na estrada! 

O livro é tão intenso que foi escrito em apenas 3 semanas, sem parágrafos, acentos, vírgulas, etc.

Caótico, cheio de gírias e palavrões, o livro quebrou todos os paradigmas. A história conta a trajetória de Sal Paradise e Dean Moriarty (um ser carismático e meio doido) que se conhecem e decidem viver a aventura de atravessar de carro a Rota 66 dos EUA junto com Marylou, que tem envolvimento romântico com Sal. A viagem interminável é cheia de descobertas e indagações e vai fazer você refletir muito sobre a vida.

2 – Os Vagabundos Iluminados (Jack Kerouac) 

Os Vagabundos Iluminados livros da geracao beatnik

Considerado por muitos especialistas e fãs da literatura beat como o melhor romance de Jack Kerouac, Os Vagabundos Iluminados conta a história de uma busca pela verdade e pela iluminação. 

Ray Smith é o protagonista dessa obra. Ele é um aspirante a escritor natural de São Francisco que está em busca de algo mais na vida. 

O protagonista, Ray Smith, é um aspirante a escritor de São Francisco que anseia por algo mais na vida. Esse algo mais será apresentado a ele por Japhy Ryder – um jovem zen-budista adepto do montanhismo que vive com um mínimo de dinheiro, alheio à sociedade de consumo norte-americana. Em meio a festas, bebedeiras, garotas, jam sessions, saraus poéticos, orgias zen-budistas e viagens, Os vagabundos iluminados – lançado nos Estados Unidos em 1958, apenas um ano após o estouro de On the road – é, sem dúvida alguma, uma obra à altura da sua irmã mais famosa. O estilo turbinado, super adjetivado e livre de Kerouac exala doses nunca vistas de humor, sabedoria e contagiante gosto pela vida.

3 – Uivo, Kaddish e Outros Poemas (Allen Ginsberg)

Uivo, Kaddish e Outros Poemas livros da geracao beatnik

Junto com On the road de Jack Kerouac, é Uivo que marca o início do movimento é considerado um dos principais livros da geração beat. Subitamente transformado numa celebridade na América, Ginsberg prosseguiu produzindo num mesmo ritmo frenético durante toda a sua vida. Estes poemas são exemplos brilhantes de poesia espontânea e em ritmo jazzístico do poeta maior da sua geração.

O longo e profético livro foi proibido sob a acusação de se tratar de uma obra obscena. Depois de um tumultuado julgamento, a obra de poemas foi liberada pela Suprema Corte americana e vendeu milhões de exemplares. Desde então se tornou uma fonte indispensável para todos aqueles que pretendem penetrar nas estações do inferno e iluminações de Allen Ginsberg e seus companheiros hipsters, pelas estradas amplas e becos sórdidos da América.

4 – Big Sur (Jack Kerouac) 

Big Sur

Lançado em 1962, esse livro narra a reviravolta na vida do autor. 

Após o sucesso de On The Road, Kerouac afunda-se no álcool e resolve passar um período retirado em uma cabana do amigo e poeta beat Lawrence Ferlinghetti, na região de Big Sur, na costa da Califórnia, onde se dedicou à escrita.

Sob o alter ego Jack Duluoz, é perceptível a decadência física e mental do escritor, demonstrando a decadência de um mito. 

Outros nomes-chave da geração beat são retratados nesta obra autobiográfica: Neal Cassady (como Cody Pomeray), Carolyn Cassady (Evelyn), Gary Snyder (Jarry Wagner), Philip Whalen (Ben Fagan), Michael McClure (Pat McLear), Lenore Kandel (Romana Swartz), Lawrence Ferlinghetti (Lorenzo Monsanto) e Robert La Vigne (Robert Browning).

5 – Um Parque de Diversões da Cabeça (Lawrence Ferlinghetti)

Um Parque de Diversões da Cabeça

Lançado em 1958, Um Parque de Diversões da Cabeça é definitivamente um dos principais livros da geração beat. Essa coleção de poemas tornou-se o livro mais vendido entre todos os poetas vivos na segunda metade do século XX. Entre os poemas mais célebres do autor estão Autobiography e Tentative Description of a Dinner Given to Promote the Impeachment of President Eisenhower. 

O livro é escrito em estilo de conversação e pensado para ser lido em voz alta. Dessa forma, acabou sendo extremamente popular em cafés universitários e auditórios de campus, onde esses versos encontravam jovens sedentos por promover a sua própria rebeldia. 

6 – Almoço Nu (William S. Burroughs)

Almoço Nu

Lançado em 1959, Almoço Nu é o trabalho mais aclamado de William S. Burroughs e um dos principais livros da Geração Beatnik. 

O protagonista é o junkie William Lee que faz uma viagem surreal dominada por obscenidades e abuso de substâncias ilícitas. O livro traz diversas histórias sem ordem narrativa, com pitadas de depravação em diversas localidades como México, Tânges e Estados Unidos. 

O livro chegou a ser censurado nos Estados Unidos após ser considerado ter em suas páginas obscenidades de alto nível – essa proibição foi posteriormente revogada. 

7 – Memórias de Uma Beatnik (Diane Di Prima)

Memórias de Uma Beatnik

Uma jovem beatnik na Nova York boêmia dos anos 1950. Jazz, poesia e muito sexo.Um retrato ousado, franco, mas bem humorado da geração beat, por uma de suas principais representantes.

8 – Pergunte ao pó (John Fante)

Pergunte ao pó

Pergunte ao pó é um clássico da literatura estadunidense e o principal sucesso de John Fante. Também foi o livro que mais inspirou a escrita de Charles Bukowski.

A história se passa no auge da depressão econômica da década de 1930, em que Arturo Bandini sonha se tornar um escritor famoso em Los Angeles. Seu plano para tanto demora a funcionar e seu dinheiro acaba. Resta a ele morar num hotel barato, lutar pela própria sobrevivência e sobreviver à pobreza. 

Nesse processo ele conhece a instável garçonete Camilla Lopez com quem tem uma relação conturbada baseada em desejo e ciúmes. Quando finalmente o primeiro conto de Bandini é publicado, ele se depara num mundo sem Camilla que, em meio a um surto, desaparece.

Paulatinamente, Bandini vai cedendo à loucura e passa a rejeitar a vida de escritor que ele lutou tanto para conseguir.

9 – Misto Quente (Charles Bukowski)

Misto Quente livros da geracao beatnik

Amplamente reconhecido como o melhor romance de Bukowski, aqui vamos conhecer Henry Chinaski – um filho de imigrantes alemães pobres, com muitas espinhas, com um pai autoritário beirando a psicopatia e uma mãe passiva e ignorante. 

Chinaski é, na verdade, um alterego do próprio Bukowski. O livro nos atinge com uma brutalidade intensa, trágica, irônica e, ao mesmo tempo, perspicaz. Pela frente, a perspectiva de servir de mão de obra barata de um mundo cada vez menos propício a pessoas sensíveis.

10 – Medo e Delírio em Las Vegas (Hunter Thompson)

medo e delírio em las vegas

A polêmica narrativa conta a história real/delirante do jornalista Hunter Thompson em uma de suas idas ao deserto para cobrir uma corrida de carros.

Em meio a cobertura, ele se perde no uso de alucinógenos e acaba sem material para escrever, a não ser as próprias sensações do uso dessas drogas. 

Esse livro virou filme. Nele você vai encontrar um Johnny Depp nada parecido com Jack Sparrow, um Benicio del Toro fora de forma e um Tobey Maguire raquítico e de cabelos longos e loiros. 

Thompson, Fante e Bukowski podem mesmo ser considerados Beatniks?

Esta é uma daquelas grandes questões sem uma resposta unânime. 

De um certo ponto de vista, todos esses três autores têm características comuns com os beatniks, entre elas o desprezo pela sociedade em que viviam, o fato de trabalharem com alter egos em suas obras e com histórias quase que autobiográficas. Passavam por perrengues, usavam drogas e falavam sobre um submundo muito pouco conhecido do país mais rico do mundo.

Assim, quando pensamos em um movimento de contracultura, é natural caracterizar esses autores como fazendo parte do mesmo movimento. Assim, algumas editoras brasileiras os tratam como Beats, e até mesmo parte da mídia

Outra vertente argumenta que os três autores não poderiam ser beatniks. Esses se resumiram apenas a Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William S. Burroughs (e aos seguidores deles – mencionados no livro Big Sur). 

Thompson é o mais diferenciado entre eles, já que o tipo de literatura que ele escreveu costuma ser definida também como gonzo. 

Também segundo essa vertente, Fante jamais conhecera Kerouac ou seus amigos, nem eles tiveram acesso aos seus livros. 

O equívoco teria sido originado pois Bukowski sempre deixou claro que Fante era sua maior inspiração e, por muita gente considerar o velho Buk um dos Beats, Fante passou também a ser associado ao movimento. 

Mas, apesar de se conhecerem, Bukowski nunca atuou com o movimento, parecendo-se mais como um individualista convicto.

Pessoalmente, não sei qual a resposta correta para esse embate. Mas resolvi apresentá-los juntos, visto que todos, de fato, são ícones da contracultura. 

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2 comentários em “10 Principais Livros da Geração Beat: Os Ícones da Contracultura”

  1. marcio "osbourne" silva de almeida

    Otima lista!! o livro Go (Vá ) de John Clellon Holmes (1922-1988). Sem tradução aqui no Brasil, infelizmente, completou 70 anos (1952-2022). O primeiro do movimento oficialmente a meu entender deste nicho/movimeto literario. Poetas como Delmore Schwartz (1916-1966), também sem tradução por aqui, inspiração pra Lou Reed (1942-2013). – marcio “osbourne” silva de almeida – jlle/sc

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