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Covil das Lobas: Resenha e Polêmicas Sobre a Obra

Há alguns dias percebemos uma certa movimentação polêmica ao redor do livro Covil das Lobas, que está em lançamento.

Como é papel do blog estar por dentro das novidades do mercado editorial, resolvemos nós mesmos ler a obra e tentar entender o que pode gerar tanta polêmica. 

Ao olhar a edição do livro, percebemos que ele é assinado por um pseudônimo (S. S.), mas sabemos que é um autor brasileiro independente. A editora de Covil das Lobas é conhecida como Clube Dos Autores, destinado a escritores independentes (na qual você consegue lançar seu livro que é basicamente impresso sob demanda).  

O livro alterna entre as temáticas de horror e erótica. Também já no começo da obra é possível perceber a tônica do livro, com diversas palavras fortes e xingamentos.

Pois bem, a obra é dividida em quatro partes, a primeira destinada para a apresentação dos personagens principais, cuja vida gira em torno da embarcação chamada Margot. Os tripulantes desse navio têm funções relacionadas à caça de baleias. 

A segunda narra os eventos iniciais na Ilha de Meer. Já o terceiro e quarto capítulos narram as repercussões dos tripulantes quando encontram as “lobas”.

Além disso, os eventos acontecem de forma rápida, assim como a leitura, e o livro é curto (128 páginas). Você poderá lê-lo em cerca de 1h30 – 2h. 

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Primeira parte do livro Covil das Lobas

O ano é 1938 e somos introduzidos ao personagem Michael. A percepção é de que ele viera de uma família abastada, teve educação superior, mas decide que quer ser marujo, pois era um sonho de criança. Desde cedo fora apaixonado pela vida marítima e quando mais velho conheceu o livro de memórias de Jimmy Óleo “A vida do marujo”, escrito pelo explorador e caçador de baleias Jonathan Marks. 

Aparentemente, os recém chegados nos barcos são chamados de “mãos verdes”, e por isso recebem imediatamente o apelido de Michael Verdinho.

Vamos conhecendo aos poucos a tripulação, como o capitão R. R. Junior, e diversos outros que são nomeados inicialmente na obra, mas posteriormente passam a ser referidos apenas por seus apelidos: Jesus Negro, Nene, Açogueiro, Dentes, Faca, Sábio, Do, Ré e Mi (como nas sequência de notas musicais). 

Há outro tripulante que também vale ser mencionado que possui o apelido de “Nove Dedos”. Caso eu fosse o autor da obra, evitaria utilizar qualquer referência que pudesse ser confundida com questões políticas, seja isso intencional ou não, mas ao que parece o escritor gosta de ir ao encontro das polêmicas, não fugir delas.

A primeira parte termina quando após eventos inesperados, um dos tripulantes (Sábio), começa a correr risco de morte. Assim, o capitão decide fazer uma manobra inesperada e atraca seu navio no Porto de Meer, uma ilha fictícia localizada ao Sul de Cuba. 

Atenção: Como é uma resenha, é possível que você encontre spoilers da obra na continuação desse texto.

Segunda parte do livro Covil das Lobas

Na segunda parte do livro Covil das Lobas somos apresentados à cidade de Meer, onde os tripulantes do navio começam pouco a pouco a arranjar pequenas confusões com os moradores locais. 

A cidade de Meer não era pequena mas definitivamente não era grande. Ela girava como um mecanismo em torno do mar, com seus estabelecimentos e trabalhos locais voltados à navegação, possuindo construções todas sólidas e antigas, ruas com caminhos irregulares e poucas luzes.

Um dos irmãos “Do, Ré, Mi” some misteriosamente (o que motiva os outros a começarem a explorar mais a cidade). 

Vamos sendo apresentados aos poucos a Meer e aos rituais locais. Em determinado momento, os tripulantes notam a completa ausência de mulheres na cidade, a não ser pelo bordel que abria aos sábados. 

Como os marujos estavam há meses sem encontrar nenhuma mulher, eles decidem que iriam lá para aproveitar os prazeres mundanos e para que um deles perdesse a virgindade (numa idade inapropriada, aliás). 

Aqui já começamos a perceber que a história central da obra estaria relacionada à ausência das mulheres. Como houve um sumiço dos irmãos, e estava posta a questão das mulheres inexistentes na Ilha, me veio imediatamente à cabeça que o livro seria um resgate ou releitura das mitologias das sereias (que seduzem os homens e os fazem sumir) com doses de terror. Porém, ao associar com o nome do livro, é possível prever um pouco o tipo de criatura que são essas “sereias”. 

Terceira e Quarta para de Covil das Lobas

Essas são as partes que veremos as repercussões do encontro dos tripulantes com as mulheres da cidade. 

Inegavelmente, agora seremos apresentados ao ápice da obra, tanto em termos de reviravoltas, quanto na quantidade de sangue, obscenidade, horror e carnificina. Também teremos algumas páginas dedicadas ao erotismo. 

Não vou entrar em detalhes sobre o que acontece nessa parte do livro já que aqui que está, com certeza, o clímax da obra e, também, é o momento que nos apresenta mais surpresas. 

Sobre as Conclusões e Polêmicas da Obra

É interessante que uma obra de um autor estreante já tenha gerado repercussão e polêmicas. 

Acredito que a escolha por utilizar diversos palavrões é arriscada, e o fato de colocar um garoto jovem numa posição da busca por perder a virgindade também o é. Além disso, citei outros fatores acima na resenha que também poderiam causar discussões acaloradas, mas, como comentei, é um escritor que não foge de controvérsias.

No entanto, o livro está causando polêmica não por isso, mas por causa de uma certa tentativa de surfar na onda feminista. 

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Parece um pouco surpreendente essa polêmica, também citada por usuários do Quora, em que uma usuária relata sobre as discussões em seu grupo de Facebook, além de blogs como Inteligência Infinita, da jornalista Renata Shimitz, que também trazem à tona o debate. 

Provavelmente essa contenda tenha sido gerada por colocar todas as mulheres da obra numa condição de profissionais do sexo (aspectos misóginos) ou todas elas como monstros assassinos sedentos por sangue na busca de vingança contra uma sociedade machista (o bordel serve como uma maneira de atrair os homens para praticar a carnificina).   

Confesso que o tópico feminismo não seria o ponto principal da obra para mim, mas como não possuo local de fala nesse assunto deixo para as leitoras do blog decidirem se as críticas procedem ou não. 

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