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A Revolução Dos Bichos: Resenha do Clássico do Século XX

Nossa Resenha de A Revolução dos Bichos apresenta uma das maiores críticas sociais já escritas, sendo uma obra que está mais viva que nunca e um dos melhores livros de George Orwell. As críticas sociais e políticas nesse livro não são nada sutis e geram muitas discussões desde que o livro foi lançado.

Na história, contada em forma de fábula, ao perceberem que são maltratados, trabalham muito e recebem poucos mantimentos, os animais de uma fazenda se revoltam contra o fazendeiro e o expulsam daquelas terras, fazendo isso sob a liderança dos porcos (que eram considerados os animais mais inteligentes).

No início da revolução, todos tem boas intenções, são criados sete mandamentos, ideológicos músicas revolucionárias e um clima de empolgação se instaura na fazenda. Aos poucos, os porcos começam a exigir cada vez mais dos outros animais para fazer a fazenda dar certo.

Com o passar dos anos, os animais começam a perceber que a revolução não deu em nada. Os porcos já estão andando em duas patas e aliados com os humanos, não sendo mais possível identificar a diferença entre o regime comandado pelos animais e o regime comandado pelos humanos.  

A parte final do livro traz a seguinte frase reveladora: “As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco.”

O livro de George Orwell, que se identificava como socialista, é uma crítica explícita ao comunismo instaurado na URSS, que em sua visão trocou as figuras opressoras: antes os Czares e a Burguesia e agora a Burocracia Estatal Soviética, mas com um povo que continuava sofrido e sem perspectivas. Assim, os socialistas tinham se transformado em opressores, justamente aquilo que eles tinham tentado combater.

Inicialmente lançada em 1945, a obra causou mal estar principalmente nos EUA e na Inglaterra, países que tinham em Stalin um grande aliado na Segunda Guerra. Na época, era quase que uma blasfêmia apontar os excessos do regime soviético – já que tratava-se de um aliado. Posteriormente, essa obra passou a ser utilizada como propaganda contra a União Soviética, no contexto da Guerra Fria – promovida justamente por quem inicialmente a criticava. 

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Onde se Passa a História da Revolução Dos Bichos?

Toda a história acontece na Granja do Solar, comandada pelo senhor Jones, que comanda um império de terror no local – dando pouca comida aos animais, usando o trabalho deles e os vendendo como mercadoria quando bem entendiam. 

Major: O Líder da Revolução Dos Bichos

Começamos a nossa resenha de A Revolução dos Bichos falando do porco ancião chamado Major, que será quem convence os outros animais a fazerem essa revolta. Esse porco, na obra de George Orwell, é uma referência clara ao líder Russo Vladimir Lênin, muito embora alguns estudiosos indiquem que ele seja uma mistura de Lênin com Karl Marx. 

O velho porco começa a fazer apresentações para os outros animais da granja, nas quais ele espalha ideais de que os animais deveriam ser governados por si mesmos. Afinal, o Homem seria a única criatura da granja que consumia sem produzir. Não dava leite, não punha ovos, era fraco demais para puxar o arado. Mesmo assim, continuava sendo o senhor de todos os animais.

É importante ressaltar em nossa resenha de A Revolução Dos Bichos que o Major tinha como ideal a igualdade entre todos os animais para que eles fossem mais ricos e, finalmente, livres. Verdadeiros camaradas. 

Além disso, ele ensina a todos a canção Bichos da Inglaterra, que seria um resumo de toda a filosofia do “animalismo” que resumiria a ideologia que ele estava a divulgar.  Dias após espalhar as suas ideias, no entanto, ele acaba morrendo.

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Resenha de A Revolução Dos Bichos: O Estopim e Primeiros Passos da Revolta

Em determinado dia, o fazendeiro Sr. Jones perde-se no álcool durante uma noite e esquece de alimentar os animais durante um dia inteiro. Esta será a gota d’água e dois porcos chamados Bola-de-Neve e Napoleão assumem a missão de serem os líderes dessa revolução. O lema passava a ser: “quatro pernas bom, duas pernas ruim”. 

Imediatamente foi elaborada uma nova bandeira para a granja, criada com pano verde e os símbolos de um chifre e um casco. O nome da propriedade é alterado para Granja dos Bichos. 

Diversas mudanças aconteceram na Granja, entre elas a criação dos sete mandamentos do Animalismo que nortearam a vida dos animais em conjunto. Esses foram escritos na parede para que todos pudessem sempre vê-los. A casa do sr. Jones foi transformada em museu. 

Inicialmente, houve um ideal de alfabetizar todos os animais. Essa tentativa foi falha, no entanto, e poucos aprenderam a ler a escrever – notadamente os porcos demonstraram que eram especialmente bons nessa tarefa, e, logo, percebeu-se que eles eram mais inteligentes que os outros animais. Portanto, caberia a eles as tarefas intelectuais, enquanto aos outros animais caberiam as tarefas que exigiam força. 

Além dos líderes Bola-de-neve e Napoleão, outro porco começa a ter destaque na comunidade. Esse se chamaria Garganta, uma espécie de porta voz oficial dos líderes da fazenda – que aos poucos se tornarão cada vez mais distantes dos outros animais. 

Além disso, os porcos foram tendo cada vez mais privilégios – somente eles tinham acesso ao leite, às maçãs e, eventualmente, foram eles que retornaram à casa do Sr. Jones e a transformaram na moradia dos líderes. 

Quais São os Sete Mandamentos da Revolução Dos Bichos?

Continuando nossa resenha de A Revolução Dos Bichos, você pode conferir quais foram, inicialmente, os 7 mandamentos do Animalismo. Com o andar da obra, no entanto, iremos ver cada uma dessas orientações sendo alteradas, conforme atenderem melhor às ideias do comandante. 

Todas, sem exceção, passam por revisão. Ao meu ver, a mais significativa é a mudança do mandamento 7, que transforma-se de “Todos os animais são iguais” para “Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que outros”. 

7 mandamentos do Animalismo:

  • 1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
  • 2. O que anda sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
  • 3. Nenhum animal usará roupa.
  • 4. Nenhum animal dormirá em cama.
  • 5. Nenhum animal beberá álcool.
  • 6. Nenhum animal matará outro animal.
  • 7. Todos os animais são iguais

O Papel de Cada Animal

Durante a trama alguns animais têm posições específicas: os cães protegem os porcos (representando as forças armadas), os cavalos sentem que tem algo errado, mas ainda acreditam na revolução, e as ovelhas seguem os porcos cegamente. Também é importante o papel do burro, o único que nunca se empolga com a revolução, sempre dizendo que “os burros vivem demais”. 

Quais São os Personagens Principais do Livro A Revolução Dos Bichos?

Os principais personagens do livro são:

  • Major: o líder idealista (uma mistura de Karl Marx e Vladimir Lênin)
  • Napoleão: porco ambicioso que rapidamente se cerca dos cães e assume paulatinamente o papel de ditador (inspirado em Stalin)
  • Bola-de-neve: porco idealista e de uma oratória incrível que era o preferido entre os animais. É expulso por Napoleão da granja e aos poucos passa a ser tratado como bode expiatório de todos os problemas que enfrentam (inspirado da história de Leon Trótski)
  • Sr. Jones: líder da Granja do Solar (que representa toda a nobreza e burguesia que fora expulsa da Rússia na revolução)
  • Garganta: Porco que é o porta-voz oficial de Napoleão
  • Sr. Pilkington: líder de uma granja vizinha (representa os ingleses que negociaram várias vezes com os russos durante a Segunda Grande Guerra) 
  • Sr. Frederick (representa os alemães, que durante a Segunda Guerra fizeram um tratado com os russos e, ignorando-o os atacam posteriormente)
  • Whymper: advogado de Napoleão e responsável pela diplomacia com outras granjas
  • Sansão: cavalo muito dedicado, segue trabalhando incansavelmente pela revolução
  • Benjamin: burro, animal mais idoso da fazenda. Cético em relação à revolução
  • Mimosa: uma égua que foge assim que acontece a revolução para outra fazenda (representação da burguesia que foge assim que acontece a revolução)
  • Moisés (corvo domesticado que representa a Igreja)

Quem Traiu os Ideais da Revolução Dos Bichos?

Explicitamos na nossa resenha de A Revolução Dos Bichos que Napoleão e Bola-de-neve possuíam ideias muito diferentes de como continuar a revolução. O primeiro trata de logo cercar-se dos cães e treiná-los para que fossem seus protetores, enquanto o segundo se torna o verdadeiro líder dos bichos. 

Após alguns desentendimentos entre os dois, Bola-de-neve é expulso da fazenda e passa a ser utilizado como bode expiatório de todos os problemas que enfrentam. 

Os ideais, que no começo da revolução eram o norte para os animais, começam a ser distorcidos por Napoleão, adaptando-os segundo o que ele imagina ser melhor para a revolução. Assim, todos animais continuavam iguais, mas alguns mais iguais que os outros. 

Quando os porcos decidem mudar-se para a antiga casa de Sr. Jones, por exemplo, o mandamento 4 é alterado para “Nenhum animal dormirá em camas com lençois”. 

Ao descobrirem garrafas de álcool deixadas para trás pelo antigo dono, os porcos se embriagam e gostam do efeito. Assim, alteram a orientação número 5 para “Nenhum animal beberá álcool em demasia”.

Entre os principais objetivos do líder está a construção de um moinho, o que faria com que os animais precisassem trabalhar muito menos para ter suas necessidades básicas atendidas no futuro. Porém essa construção é complexa e resulta em vários fracassos (todos eles atribuídos à Bola-de-neve, como o grande sabotador da revolução). 

Assim, começa uma execução em massa dos sabotadores que estariam atrapalhando a evolução da fazenda. Os animais olham assustados para a parede, e o sétimo mandamento já estava alterado para “Nenhum animal matará outro animal sem motivo“: 

Aos poucos a vida na granja começa a se parecer mais e mais com o que era antes da revolução. Os animais que viveram sob o regime do Sr. Jones foram morrendo, assim, poucos, de fato, tinham na memória como haviam sido aqueles dias. 

O desfecho do livro é muito irônico, quando os porcos passam a conseguir andar em duas patas e passam a fazer reuniões com homens de outras fazendas ali mesmo na casa do antigo Sr. Jones. Os animais da fazenda, estarrecidos, olham para um e para outros e já não mais conseguem identificar as diferenças entre eles, como exemplificado na última página do livro: “Não havia dúvida agora quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco”.

Qual é a Opinião de George Orwell Sobre as Consequências Políticas da Revolução Russa?

Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo George Orwell, viveu na pele as consequências da revolução comunista, afinal ele cobriu como jornalista a Guerra Civil Espanhola. 

Apesar de considerar-se um socialista, ele nunca deixou de denunciar os abusos do regime soviético, as perseguições, a ditadura, os expurgos e os assassinatos cometidos em nome da revolução. 

No fim da vida, ele ainda considerava-se um socialista, mas com ideais muito mais utópicos, nunca abandonando a liberdade. 

A Revolução Dos Bichos causou muito mal estar no meio político quando foi lançado, pois adotava um caráter satírico de um dos principais aliados na guerra contra os alemães. Adicionalmente, os comunistas eram tratados como porcos no livro, o que adicionou mais uma pitada de ofensas aos dirigentes russos. 

Era impossível não identificar Stálin nos movimentos despóticos de Napoleão, com seus assassinatos, exílios e distorção da memória coletiva. 

Passadas décadas desde a publicação da obra, é possível ver vários exemplos no mundo de como quando sujeitos são alçados aos mecanismos do poder, são apresentados às suas fraquezas humanas que levam, invariavelmente, à corrosão dos ideais igualitários que os levaram até ali – levando ao despotismo e à tirania. 

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