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Um Lugar Bem Longe Daqui: Resenha Literária

Hoje você vai acompanhar uma resenha de Um Lugar Bem Longe Daqui. Em uma pequena cidade litorânea, na Carolina do Norte, Estados Unidos, entre a década de cinquenta e setenta, vivia a jovem Catherine Danielle Clark, mais conhecida como Kya. Ela e a sua família viviam na região pantanosa da cidade, que foi ocupada devido a falta de condições financeiras e moradia de parte da população. Mesmo sendo a filha mais nova, sempre presenciou os abusos psicológicos e constantes agressões que a sua mãe e seus irmãos mais velhos eram vítimas, por parte de seu pai. 

De maneira não premeditada, sua mãe decide abandoná-los, fazendo com que seus irmãos mais velhos também saiam de casa. Dessa forma, permanecem no pequeno barracão, ela, Kya, e seu irmão mais próximo Jodie.

Mas, não suportando todos os abusos com álcool e agressões, Jodie também sai de casa, deixando Kya sozinha. 

Perdida e sem ajuda, e ainda alimentando a possibilidade do retorno de sua mãe e irmãos, Kya aprende a sobreviver no meio do pântano, e a tentar, de certa forma, agradar o seu pai, para que ele não se torne agressivo novamente.

A princípio, eles constroem uma certa proximidade, com ele ensinando a jovem a pescar, a andar de barco e comprar itens básicos na cidade. 

>>> Está gostando da nossa resenha de Um Lugar Bem Longe Daqui? Esse texto é uma parceria entre o IG literário @blogleituranna, criado pela autora Anna Luíza Tenório, e o blog Os Melhores Livros. Também estamos presentes no YoutubeTelegram e Instagram, nos quais você terá acesso a textos como esses e também diversos outros guias de leitura postados diariamente aqui no blog! Caso você goste desse conteúdo, poderá adquirir o livro através desse link para ajudar no crescimento do blog.

A Vida no Pântano

Continuando a nossa resenha de Um Lugar Bem Longe Daqui, vemos Kya despertando por um grande fascínio por pássaros e pela vida dos seres no pântano. Essa admiração pelas aves pode ser explicada pela sensação de liberdade que elas representam, e como a personagem enxerga a forma como os bichos, não somente as aves, tratam seus filhotes, ela percebe que era exatamente esse tipo de tratamento que uma mãe deve ter com seus filhos, diferente do que ocorreu com ela e a sua família. 

“[…] Ao sair correndo pela estradinha, de areia com os braços esticados à frente, Kya fazia ruídos molhados com os lábios, esguichando voo e plantando lado a lado com as águias. Seus dedos se transformaram em longas plumas abertas diante do céu, sustentadas pelo vento abaixo delas.”

Na medida que vai crescendo, Kya vai ansiando por muito mais conhecimento, mesmo não sabendo ler e escrever. Mas, quando chega uma carta misteriosa, que desconfia ser da sua mãe, seu pai volta a beber e desaparece repentinamente. Agora sim, sozinha, tendo uma fraca percepção da vida, ela desenvolve um senso de responsabilidade muito à frente da sua idade. 

Sempre visitando uma pequena loja do amigo do seu pai, Pulinho, trocando lagostins por gasolina para o barco, aveia e fósforo, ele se torna um grande aliado na vida da personagem. Pulinho, junto com a sua esposa, Mabel, auxiliam e cuidam da Kya, mesmo de longe para que ela não se sinta totalmente sozinha. 

A vida isolada faz com que Kya seja sempre assunto pela cidade. O preconceito e a falta de responsabilidade social, faz com que ela seja conhecida como a  “Menina do Brejo”. Porém, nem tudo é ruim na vida da jovem. Em uma das suas expedições com seu barco, Kya acaba se perdendo e pedindo ajuda ao jovem Tate Walker, que também passava com seu barco pela lagoa, e a auxilia para voltar para casa. 

Tate, era amigo do seu irmão Jodie, fazendo com que Kya se sinta segura com a presença dele. Os dois começam a construir um vínculo intenso, primeiramente como amigos, mas depois se transformando em amor. Tate representa o lado humano que Kya, ainda acredita que as pessoas possuem, mesmo toda a cidade a ignorando. 

“Ele disse a ela: agora você sabe ler qualquer coisa, e quando se sabe ler qualquer coisa, é possível aprender qualquer coisa. Só depende de você.” 

Ele a ensina a ler, escrever, sobre ciências biológicas, arte e vida. Sem dúvidas, esse é um dos momentos mais particulares do livro, que traz uma carga emotiva muito forte. Contudo, Tate, por ser mais velho que a Kya, está se programando para ir à faculdade, deixando a jovem sozinha novamente, mesmo apaixonado por ela.

Os acontecimentos da vida Kya, são sempre tratados com muita precisão, mas são carregados de sentimentos, dentre frustrações, medos e abusos. Com o passar do seu desenvolvimento, já sabendo sobreviver e entendendo como as pessoas são, ela se fecha para o mundo, mas continua com as suas pesquisas sobre o bioma pantanoso, sendo convidada, posteriormente, a escrever livros e começando a ganhar royalties sobre a venda e pesquisa deste. 

Já na fase adulta, ela começa a visitar a cidade, mesmo as pessoas ainda carregando um grande preconceito contra ela, e com isso, ela conhece o jovem Chase Andrews. Popular e carismático, Chase é filho de uma família rica,  renomada e de grande prestígio. Apostando com seus amigos, ele começa a se aproximar de Kya, levando-a crer que ele poderia estar interessado nela, porém começa uma série de abusos psicológicos, fisicos e quase uma tentativa de estupro.

Kya começa a passar pelos mesmos processos que a sua mãe (quanto às agressões e abandono afetivos), mas mesmo que as situações sejam diferentes, ela decide pôr fim a tudo isso, quando descobre que Chase estava noivo. Triste, mas ao mesmo tempo não surpresa, ela recebe a visita inesperada de Tate, mas dispensa qualquer investida por parte dele, por estar muito magoada. 

Quando seu editor a convida para conhecê-la pessoalmente, Chase é encontrado morto perto do farol. Todos da cidade ficam surpresos, mas desconfiados se poderia ser um assassinato. Colhendo depoimentos de todos moradores da cidade, Kya se torna a principal suspeita, sendo levada presa para responder sobre o suposto assassinato. 

Preconceitos Sociais

Por ser narrado entre a década de cinquenta e setenta, os principais conflitos políticos, ideológicos e sociais são pautas bem frequentes. A separação entre negros e brancos é predominante na história. Os lugares frequentados, diálogos e convívio são marcados por muito preconceito racial e social. 

Os moradores do brejo, devido a expansão sem planejamento e a guerra, são tratados de forma marginalizada. Kya e sua família se mudaram para lá, devido a falta de dinheiro (graças a grande depressão econômica), levando uma vida de dificuldade e sem acesso aos itens básicos. As crianças, por exemplo, não têm acesso a escolas, e saúde básica. 

Devido ao seu isolamento, o conselho tutelar procura Kya, ainda criança, para que ela possa frequentar a escola. Nesse momento, a personagem tem um contato profundo com a diferença entre as classes sociais. O tratamento por parte dos professores com ela, e com as outras crianças que não possuem condições financeiras é brutal, fazendo com que Kya não retorne mais para as aulas. 

Somente quando Tate começa a ensiná-la, mesmo desconfiada, ela entende que as pessoas podem ter um lado bom.  

“Tocar em alguém significa abrir mão de parte de si, um pedaço que ela nunca recuperava. Tocar em alguém significava abrir mão de parte de si, um pedaço que ela nunca recuperava.”

Outro ponto importante da história, é quando Kya é acusada do suposto assasinato de Chase. Mesmo não tendo nenhuma materialidade que ela poderia ter cometido o crime, os costumes e as fofocas acerca de Kya, a levam para o tribunal como suspeita.

 Nesse ponto da história, é curioso observar que, o seu defensor, mesmo sendo o advogado mais renomado da cidade, somente com suas palavras, mostra que Kya não tem nada a ver com o suposto assassinato de Chase, e que ela somente configurava o banco dos réus, por puro fruto do preconceito. 

Evolução emocional dos personagens

Desde pequena, Kya viveu sozinha e desvendou o mundo, e como ele funciona, sem ajuda de ninguém. Depois que sua mãe e seus irmãos a abandonaram, e mais tarde, seu pai, ela passa por um processo de isolamento e resignação. Quando ela aprende a apreciar os pássaros e os animais do brejo, todos representam o único vínculo afetivo que ela tem. 

Contudo, com a chegada de Tate e Chase, ela experimenta uma nova versão do afeto e do amor. Mesmo que ambos a tenham abandonado, Tate sempre esteve presente em sua vida, seja ajudando com seu livro (ele mesmo indica Kya para uma grande editora), ou até mesmo no meio das acusações do processo de assassinato. Já Chase, ele representa a parte maliciosa e pesada da história. O objetivo do personagens é se gabar por toda a cidade por ter se envolvido com Kya.

 Mesmo quando Chase casa-se, ele ainda permanece com certo fascínio sobre Kya. Sempre procurando-a, ele comete diversos abusos e uma tentativa de estupro. Inclusive, mesmo com testemunhas sobre o que aconteceu, Kya ainda é rechaçada, justamente pelos costumes sociais e pelos preconceitos. 

“Alguns insetos fêmeas devoram o parceiro, mães mamíferas estressadas abandonam as crias, muitos machos inventam maneiras arriscadas ou ardilosas de vencer os espermatozoides dos concorrentes. Nada parecia ser excessivamente indecoroso, contanto que o ciclo da vida se perpetuasse.”  

Outro ponto importante, é o papel que Pulinho e sua esposa, Mabel, possuem na vida de Kya. Todos os seus processos de descobertas e evoluções são aparados por eles. Tentando convencê-la a viver com eles, Kya ainda prefere viver no pequeno barracão, mas sempre amparada por eles. Eles fazem o verdadeiro papel de pais da jovem.

Conclusão

É possível ver na nossa resenha de Um Lugar Bem Longe Daqui um romance cheio de camadas que precisa de atenção em vários momentos. Além de tratar sobre temas muito importantes, a escritora Delia Owens constrói e evolui os personagens de forma precisa, graças, também, à diversas passagens de anos dentro da história. A narrativa é carregada de emoções, levando o leitor a torcer e a crer em certos acontecimentos. Sem dúvidas, essa história merece toda a sua dedicação. 

Além disso, em breve, o livro será adaptado para filme, com previsão de estreia dia primeiro de setembro. O filme conta com a participação de Daisy Edgar-Jones (conhecida pela série “Pessoas Normais), que fará o papel principal, interpretando Kya. 

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