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O Vulto das Torres – Livro

Em O vulto das torres o autor Lawrence Wrigth mostra toda a trajetória de construção do pensamento radical islâmico no oriente médio, até os ataques terroristas de 11 de setembro. Engana-se quem pensa que o ódio pelos costumes norte-americanos e a Jihad, guerra santa, é uma coisa de alguns poucos comandados de Osama bin Laden. Na narrativa envolvente do livro, que não ganhou à toa o prêmio Pulitzer de melhor não-ficção, conseguimos perceber que vários foram os pensadores os quais influenciaram as teorias ortodoxas islâmicas.

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Quem são os personagens de O Vulto das Torres?

Um dos méritos de O Vulto das Torres é centrar a história nos personagens. O primeiro deles é Sayyid Qutb, que se surpreendeu com o modo de vida americano ao mudar-se para os EUA. Ofendeu-se com coisas que nós adoramos na civilização ocidental. Considerou o futebol americano um jogo selvagem, e entendia que os espectadores também partilhavam de sua selvageria. Entendia o jazz como “a música americana criada para satisfazer os seus instintos primitivos – o amor ao barulho e o apetite sexual”. E não compreendia uma sociedade em que as mulheres tivessem tanta liberdade, principalmente nas questões envolvendo sexo. Apenas um ano depois de sua chegada aos Estados Unidos ele publicou um texto que já dava dicas de sua revolta. “ O mundo é um menino ingrato” conta a história de como o Egito tornou o mundo um lugar civilizado e como o mundo virou as costas ao Egito. Já no país dos faraós, Qutb publicou sua obra mais conhecida: “Marcos”. Por fim, ao saber que seria enforcado Sayyid Qutb declarou: “Graças a Deus. Realizei a Jihad durante quinze anos até merecer este martírio”.

Outro personagem central em O Vulto das Torres é Ayman al-Zawahiri, o numero 2 da rede Al-Qaeda. Zawahiri cresceu num bairro de classe média, e cursou a faculdade de medicina na Universidade do Cairo. É surpreendente como Lawrence Wright mergulha na vida pessoal de Ayman a fim de entender o que ocorreu com o médico intelectual para que se tornasse um radical reacionário. Acreditando em ajudar os “irmãos muçulmanos”, ele lutou na Guerra do Afeganistão, que durou de 1979 a 1988, ao lado dos americanos, a quem ele não tinha nenhuma simpatia. “Estamos aceitando ajuda americana para combater os russos, mas eles são igualmente ruins”.
Zawahiri acaba criando a Al-Jihad, facção terrorista que vem a se juntar com a Al-Qaeda, por estar destroçada e sem dinheiro

A Trajetória de Bin Laden

Bin Laden, o homem que financiou e coordenou os ataques terroristas de 11 de setembro, aparece em O Vulto das Torres inicialmente como um garoto apaixonado por filmes de faroeste e que gostava de jogar futebol. Aos catorze anos Osama despertou religiosamente. Parou de usar trajes ocidentais e ficava em frente à televisão vendo notícias da Palestina, frustrado com aquela situação. Na faculdade dedicou-se muito tempo à interpretação do alcorão e da Jihad.

O medo da morte retardou a sua participação na guerra que acontecia no Afeganistão, fato que o envergonharia mais tarde. “Pedi perdão ao todo-poderoso, sentindo que havia pecado ao dar ouvido aos que me aconselhavam a não ir para lá”.

Em 1988 ele cria a Al-Qaeda, a organização terrorista responsável pelos ataques às torres gêmeas. É mostrado no livro como carismático e com um complexo messiânico. Investe em negócios que não dão em nada, é enganado muitas vezes e vê sua fortuna ir embora enquanto morava no Sudão. Acaba unindo forças com Zawahiri e sendo expulso do país, escolhendo o Afeganistão como sua nova casa.

A Investigação do FBI

John O´Neill é um homem totalmente desconhecido também aparece em O Vulto das Torres. Ele é retratado no livro por ter sido um dos primeiros funcionários do FBI, polícia federal americana, a desconfiar de Bin Laden. Suas investigações não avançavam por não conseguir cooperação da CIA, central de inteligência, o que demonstra a incompetência e a competição entre as duas agências. O atrapalhado e mulherengo O´Neill, acabou indo trabalhar no Word Trade Center, e morreu nos ataques do dia 11.

É um livro fantástico, que mostra o ser humano por trás do terrorista, as oscilações de Osama, que por vezes no Sudão pensou em parar com a Jihad, além de mostrar o papel que teve a repressão egípcia na formação dos ideais de Zawahiri e as falhas graves geradas pela falta de troca de informações entre a CIA e o FBI.


George Lawrence Wright

George Lawrence Wright nasceu em 2 de agosto de 1947 cidade de Oklahoma. Cresceu em Dallas, no Texas, formou-se pela Tulane University. Em 1969, foi ao Egito para estudar linguística árabe e também para lecionar na Universidade Americana do Cairo, onde permanceu por 2 anos. A prestação deste serviço lhe concedia o direito de não precisar servir ao exército. Na cidade de Cairo viu de perto a formação do radicalismo islâmico. Escreveu seis livros, além de ter sido co-roteirista no filme Nova York sitiada, que tem a participação de grandes atores como Denzel Washington, Bruce Willis e Tony Shalhoub, numa história de ação que envolve ataques terroristas na cidade de Nova York.

Em 2007 ganhou o prêmio Pulitzer de melhor livro não-ficção pelo ótimo trabalho em “O vulto das torres”. Wright realizou uma apuração genial, com pesquisas em vários países e 562 entrevistas, que resultaram na obra que permaneceu durante 8 semanas em primeiro lugar na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times, e já foi traduzido para 25 línguas. O nome do livro em inglês – “the looming tower” – remete a frase que Osama bin Laden falou repetidamente em um vídeo que foi gravado na hora dos ataques as torres gêmeas – “Wherever you are, death will find you, even in the looming tower” – “Onde você estiver, a morte vai lhe encontrar, mesmo na torre imponente”.

O jornalista falou sobre as mazelas deste complicado trabalho de apuração em entrevista a revista veja. “É muito complicado entrevistar pessoas ligadas a movimentos terroristas. Eu nem sempre sabia exatamente com quem estava falando ou que intenções ocultas os entrevistados teriam”.

Wright passou parte da sua vida escrevendo sobre intolerância religiosa, experiência que ajudou na consistência do livro e a caracterizou como a grande obra entre as pesquisas já realizadas sobre os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Um grande mérito do levantamento, foi o relato da vida de John O´Neill, ex-agente que morreu nos ataques as torres gêmeas, virando herói, e cuja vida tem como pano de fundo, uma violenta história de competitividade entre órgãos americanos de inteligência, principalmente CIA e FBI, que resultou em buracos no que se sabia sobre as organizações terroristas no oriente médio. O escritor está transformando a história de O´Neill em um roteiro para o estúdio MGM.

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