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A Paciente Silenciosa: Thriller Com Final Surpreendente [Resenha]

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Hoje, criamos uma resenha de A paciente silenciosa – livro publicado pela editora Record em 2019 que é a primeira produção do roteirista Alex Michaelides e conquistou o “Goodreads Choice Awards” como a melhor obra de mistério e Thriller do ano de 2019.

O livro tem chamado atenção em comunidades de leituras na internet, principalmente no TikTok, em que os fãs do gênero suspense psicológico têm dado bastante destaque para a obra do escritor formado em Cambridge. 

“Só ela sabe o que aconteceu. Só ele pode fazê-la falar.”

>>> Abaixo você vai conferir mais da nossa resenha de A Paciente Silenciosa. Mas antes, gostaria de convidar para nos seguir também no YouTubeTelegram e Instagram, redes nas quais você terá acesso a textos como esses e também diversos outros guias de leitura postados diariamente aqui no blog! Caso queira adquirir o livro, você ajuda o blog ao comprá-lo por esse link

Resenha de A Paciente Silenciosa (Alex Michaelides)

A História

A primeira parte do livro tem início com a descrição de um crime. O casal Berenson, formado por Alicia (uma pintora renomada) e Gabriel (um fotógrafo em seu auge), aparentavam ter uma vida perfeita, com um casamento estruturado e carreiras encaminhadas, até que em uma madrugada a vizinha do casal escuta tiros e telefona para a polícia. Ao chegar no local da ocorrência, os policiais encontram Alicia suja de sangue, e seu marido preso a uma cadeira, recém falecido por conta dos seis tiros direcionados a ele, com seis marcas de tiros em seu rosto.

O crime toma proporções muito grandes, tornando-se uma confusão midiática, tanto pela brutalidade de sua execução, como na curiosa condição que Alicia apresenta após o acontecimento. Ela é a única possível testemunha e é considerada autora do crime. No entanto, Alicia perde completamente a capacidade de falar, continuando em silêncio durante todo o seu julgamento e sendo enviada para uma instituição psiquiátrica ainda em silêncio. 

Referências Teóricas

Continuamos a nossa resenha de A Paciente Silenciosa falando um pouco da história que começa a ser desenvolvida pelo olhar de Theo Faber, um psicoterapeuta que se candidata a um novo emprego em um hospital psiquiátrico visando ter acesso à paciente mais famosa da instituição, Alicia. 

Dentro da instituição, as ações de Theo possuem ligação com as bases da psicologia. Esse é, sem dúvidas, um ponto favorável para a narrativa. O domínio que o autor teve para descrever conceitos importantes dentro da ciência de uma maneira simples nos ajuda a construir os protagonistas de uma maneira complexa muito além das páginas do livro, principalmente sobre a infância deles. 

Citações de grandes expoentes da ciência aparecem frequentemente, como Freud e Winnicott (psicanálise), conceitos como transferência e construções de relações terapêuticas também são encontrados na obra. Além disso, durante a rotina do protagonista em seu trabalho ocorrem discussões frequentes com outros membros de sua equipe, trazendo temas de reflexão sobre lutas antimanicomiais e uso de terapias medicamentosas.

As cenas do hospital são muito reais e demonstram profissionais que não são preparados para as demandas de saúde mental, que possuem uma visão reducionista dos transtornos e distúrbios, trazendo luz a importância de conceitos diagnósticos e da importância de uma preparação ética das pessoas que se envolvem com a saúde.

Além da presença de teorias psicológicas, possuímos referências mitológicas como o desenvolvimento do mito de “Alceste”, a história da rainha que sacrifica sua vida para salvar seu marido e volta a vida em um ato heroico e divino, porém perde a capacidade de falar, possivelmente devido ao trauma. O livro usa essa como uma possível exemplificação para o quadro clínico de Alicia. 

Ou seja, além da construção da história fictícia do ciclo principal (psicólogo e sua paciente), possuímos um contexto que não deixa em nenhum momento de ser desenvolvido, personagens secundários que possuem suas particularidades e importâncias. 

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Minha Experiência

A narrativa chama bastante atenção, estruturada em 350 páginas, a obra se divide em 5 fases que contam as experiências presentes e passadas sob a ótica dos dois protagonistas – Theo por meio de sua narração, e Alicia por meio de diários que relatam seu passado. 

Com capítulos curtos, a leitura possui um certo dinamismo, mesmo nos momentos mais calmos do livro o leitor ainda sente o suspense e a necessidade de continuar tentando entender as questões principais. 

Durante todo o processo de leitura, tentei identificar sinais que poderiam me ajudar a teorizar o final do livro, buscando significantes que pudessem me ajudar a entender se Alicia realmente era culpada e principalmente o porquê Theo parecia tão obcecado por essa história. 

A resposta só aparece no final e nem de perto eu consegui acertar alguma teoria, ou seja, pode-se dizer que foi surpreendente. 

A conclusão do livro é rápida (o que não é sinônimo de mal feita, pelo contrário), em sua última parte toda a história é amarrada por um ponto em comum. 

A minha experiência com essa obra foi inesperada, não achei que a história funcionaria tão bem para mim, mas no final acabei gostando bastante. 

As sessões de Theo e Alicia nos trazem a sensação de que algo está errado, o protagonista apresenta um nível de obsessão pela pintora, demonstrando em seus diálogos uma espécie de síndrome do herói, que sempre encontramos em diversos livros. A sua narrativa é quase sempre focada no fato de que só ele pode ajudá-la, só ele pode salvá-la. Isso me incomodou muito no início da história, por ser uma característica que eu não esperava em uma relação terapêutica.

Sua postura não tinha nenhum pouco de ética profissional. Além de seu trabalho no hospital, ele buscou ter acesso a familiares, advogados, amigos e qualquer um que pudesse falar sobre Alicia, mesmo que sob a justificativa de tentar ajudá-la. Essas ações causam desconforto e acendem um sinal de alerta no leitor (conselho de psicologia corre aqui) , apesar de trazer um caráter policial ao suspense que foi bem aproveitado. 

Apesar disso, eu ainda não imaginava a conclusão da história. Quando essa chegou, o sentimento que me dominou foi uma espécie de “traição”, me senti enganada e manipulada pela história, além de que todas a vezes que revisitei a história (após saber de sua conclusão) tive a sensação de ser observada, de que o verdadeiro vilão estava espreitando a história o tempo todo, suspeitei de todos durante o desenvolvimento, mas a maneira com que tudo ocorreu me fez exaltar a genialidade do autor. Ou seja, é um verdadeiro suspense psicológico, talvez o melhor que li esse ano. 

Conclusão

Concluo a resenha de A Paciente Silenciosa com uma avaliação final 4/5 estrelas ⭐, apesar da história ser muito boa eu gostaria de um pouco mais de explicação sobre o final, o que ocorreu com os personagens após a resolução do problema central.

Fico ansiosa para que os rumores de uma possível adaptação cinematográfica pela produtora do ator Brad Pitt (Plan B Entertainment) sejam reais. 

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2 comentários em “A Paciente Silenciosa: Thriller Com Final Surpreendente [Resenha]”

  1. Eu li este livro posso dizer que me senti da mesma forma, “traída” pelo próprio personagem. O livro faz com que criemos uma certa confiança que é quebrada no final do livro. O que acontece no final de certa forma não soou tão bombástico como eu achei que soaria para mim, mas ainda sim me veio a surpresa.
    Este livro pra mim só não foi tão maravilhoso pois, assim como você sentiu um vazio ao final sem saber o que aconteceu depois da resolução, eu senti um vazio em alguns pontos no meio da história que poderiam explicar algumas ligações entre personagens importantes, ou explicar como a morte do marido de Alice impactou na vida de alguns personagens, pois temos alguns personagens ligados a ele que nós nem deduzimos que se conheciam de algum jeito.é
    No mais, este livro foi incrível.

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